Depois de 28 anos caminhando pelo mundo, o britânico Karl Bushby, de 57 anos, concluiu uma jornada que começou em 1º de novembro de 1998, no Chile. Nesta segunda-feira (2), ele chegou à cidade de Hull, no nordeste da Inglaterra, sua terra natal, após percorrer mais de 58 mil quilômetros e atravessar quatro continentes sem utilizar meios de transporte.
Batizada de Expedição Golias, a aventura terminou com uma recepção de cerca de 500 pessoas, entre familiares, amigos e autoridades locais. O momento também marcou o primeiro encontro presencial de Karl com a neta, Harley, de 12 anos.
Quando iniciou a caminhada, aos 29 anos, o britânico havia acabado de se divorciar e deixou o filho, Adam, então com oito anos. A previsão inicial era concluir o percurso em 10 a 12 anos, mas a expedição se estendeu por quase três décadas. Hoje, Adam tem 36 anos e também é pai. Nesse período, pai e filho se encontraram pessoalmente apenas três vezes, segundo o relato.
A mãe de Karl, Angela Bushby, de 75 anos, permaneceu na casa da família à espera do retorno dele. No início, o aventureiro financiou a própria jornada, mas conseguiu apoio de patrocinadores ao longo dos anos, incluindo uma produtora de documentários dos Estados Unidos.
Travessia por quatro continentes
Karl partiu de Punta Arenas, no extremo sul do Chile, e percorreu países da América do Sul, América Central e América do Norte. Durante o trajeto, passou por regiões de risco e relatou ter escapado de gangues armadas no caminho para o Panamá.
Em março de 2006, acompanhado do aventureiro francês Dimitri Kieffer, atravessou o Estreito de Bering, entre o Alasca e a Rússia, sobre uma faixa de gelo. Os dois acabaram presos pelas autoridades russas por entrada ilegal no país, mas foram libertados após intervenções diplomáticas britânicas.
A caminhada continuou pela Sibéria, Mongólia, China e países da Ásia Central. Diante de tensões internacionais, Karl alterou a rota planejada e atravessou o Mar Cáspio a nado até o Azerbaijão. Depois, passou pela Turquia e seguiu em direção à Europa, até chegar ao Reino Unido.
Retorno para casa
Na infância, Karl enfrentou bullying na escola devido à dislexia severa, diagnosticada quando ele tinha 13 anos. Mais tarde, serviu por 12 anos no 3º Batalhão do Regimento de Paraquedistas, período em que começou a traçar em um mapa a rota da expedição que viria a realizar.
Após chegar à Inglaterra, o aventureiro celebrou o retorno comendo fish and chips, prato tradicional britânico. Em declarações à imprensa local, disse ter ficado surpreso com a recepção e agradeceu à ajuda que recebeu durante o percurso.
Karl também afirmou que o fim da jornada traz sentimentos mistos, já que a caminhada ocupou grande parte de sua vida. Agora, pretende reencontrar os demais familiares e descansar.




