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terça-feira, 3 de novembro de 2026
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Preso há décadas, Marcinho VP teria ordenado criação de associação de moradores

02/11/2026 às 12h08

Uma investigação da Polícia Civil do Rio de Janeiro aponta que Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP e apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho (CV), teria ordenado a criação de uma associação de moradores mesmo estando preso há décadas.

A suspeita surgiu após investigadores encontrarem, no celular de Márcia Nepomuceno, companheira do traficante, uma conversa com Marco Antonio Quintal Henrique, conhecido como Marquinhos Balão. No diálogo, ele afirma ter criado uma associação de moradores na localidade de Vila Norma, possivelmente em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, a pedido de Marcinho VP.

Para os investigadores, a conversa pode indicar que o traficante continuaria recorrendo a familiares e pessoas próximas para transmitir orientações e influenciar decisões em comunidades sob a influência da facção criminosa.

Marquinhos Balão também aparece como presidente de uma associação de moradores no Complexo do Alemão desde dezembro de 2021. A entidade foi fundada em 2004, mas não foi possível confirmar se é a mesma citada nas mensagens relacionadas à investigação.

O material foi obtido após a apreensão do celular de Márcia durante diligências relacionadas a um inquérito aberto em São Paulo para investigar uma suspeita de disparo de arma de fogo envolvendo o rapper Oruam, filho dela com Marcinho VP.

Márcia está presa desde o mês passado, quando foi alvo de uma operação da Polícia Federal. Ela é suspeita de participar de um esquema para impor exclusividade no fornecimento de internet em áreas dos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão. Segundo a reportagem original, as ordens de prisão foram expedidas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O Ministério Público do Rio de Janeiro também investiga suspeitas de que recursos atribuídos ao Comando Vermelho teriam sido usados para pagar despesas pessoais de integrantes da família de Marcinho VP.

Em uma das conversas analisadas, Márcia teria tratado com Luiz Paulo Silva de Souza, conhecido como Magrão, da liberação de R$ 28 mil que seriam solicitados a Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, apontado como uma das lideranças do tráfico no Complexo do Alemão. Conforme a investigação, R$ 8 mil seriam destinados a um chá de bebê e R$ 20 mil à compra de móveis para uma filha dela.

Em outro diálogo, Márcia teria pedido ao filho Oruam que solicitasse R$ 10 mil a Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca e apontado como chefe do tráfico no Complexo da Penha. O valor seria usado para pagar uma fatura de cartão de crédito.

Para os investigadores, as conversas podem indicar que familiares de Marcinho VP teriam acesso a dinheiro administrado por lideranças do Comando Vermelho, inclusive para cobrir gastos particulares. As suspeitas são objeto de apuração policial.

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