A defesa do ex-governador da Paraíba Ricardo Coutinho afirmou que ele não foi preso nem tentou aliciar crianças durante uma ocorrência registrada na noite dessa segunda-feira (2), nas proximidades da Vila Olímpica de Santa Maria, no Distrito Federal.
Segundo nota assinada pelo advogado Igor Suassuna de Vasconcelos, Ricardo teria acionado a Polícia Militar depois de ser abordado e ameaçado por um jovem dentro do ginásio. A defesa sustenta que o ex-governador sofreu uma tentativa de golpe e extorsão.
“Ricardo Coutinho sofreu uma tentativa de golpe e de extorsão ao levar seu enteado menor para jogar futebol de salão na Vila Olímpica de Santa Maria”, afirma a nota.
O posicionamento foi divulgado após a circulação de notícias segundo as quais Ricardo teria sido preso sob suspeita de abordar crianças. O boletim da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), no entanto, não registra prisão, indiciamento ou definição de crime. A ocorrência foi classificada apenas como “em apuração”.
Quem acionou a polícia
A defesa afirma que Ricardo foi o primeiro a chamar a Polícia Militar e apresenta o número de uma ocorrência do Centro de Operações da PM, o Copom: 20261102191828-630-OC.
O boletim da Polícia Civil informa que a comunicação da ocorrência analisada pela delegacia foi feita pelo Copom às 20h40. No histórico, consta que um sargento compareceu à unidade policial “apresentando uma situação” e que, inicialmente, levou Ricardo Coutinho ao local. Depois, chegaram os demais envolvidos.
Uma das testemunhas também declarou que, durante a discussão em frente à Vila Olímpica, Ricardo aparentemente estava ao telefone com a Polícia Militar. O documento, porém, não esclarece expressamente quem realizou a primeira ligação relacionada ao episódio.
A nota da defesa sustenta que Ricardo se dirigiu espontaneamente à delegacia para denunciar as supostas ameaças e calúnias. Após prestar esclarecimentos, ele foi liberado e voltou para casa com a família.
Relatos envolvendo crianças
O policial responsável pela apresentação informou ter sido acionado após uma solicitante relatar que um homem, dentro de um veículo, piscava as luzes, fazia gestos e supostamente chamava crianças para o automóvel.
Testemunhas disseram que crianças que brincavam nas proximidades relataram que o motorista teria acendido os faróis e feito um gesto de coração com as mãos. Adultos se reuniram no local e um adolescente abordou Ricardo no interior do ginásio.
Esses relatos ainda não foram confirmados pela investigação. O boletim não atribui formalmente a Ricardo qualquer crime e identifica o ex-governador apenas como “envolvido”.
Ricardo negou na delegacia ter chamado ou feito gestos para as crianças. Ele declarou que estacionou em um terreno escuro, permaneceu brevemente no veículo procurando um papel e, ao sair, acionou o alarme. Segundo sua versão, as luzes piscaram automaticamente com o travamento do carro.
Ele também afirmou que não percebeu crianças brincando nas proximidades e que interpretou a abordagem do adolescente como uma possível ameaça ou tentativa de golpe.
Defesa anuncia medidas judiciais
A defesa classificou como falsas, difamatórias e caluniosas as publicações que afirmaram que Ricardo Coutinho havia sido preso por suspeita de aliciamento. O advogado informou que pretende adotar medidas judiciais contra os responsáveis pelas divulgações.
“A ocorrência está em apuração e ninguém foi preso”, reforçou a nota.
Os advogados disseram ainda confiar na investigação da PCDF e defenderam a apuração da alegada tentativa de extorsão e ameaça contra o ex-governador.
A comunicação de ocorrência foi homologada na manhã desta terça-feira (3) e encaminhada à 33ª Delegacia de Polícia, responsável pela apuração. Não houve apreensão de objetos, perícia ou prisão.
Ricardo Coutinho governou a Paraíba entre 2011 e 2018.




