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quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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É falso que governos tenham anunciado apagão mundial e pedido estoque de comida por três meses

03/11/2026 às 21h37

Mensagens que circulam nas redes sociais distorcem recomendações de governos para que famílias mantenham água e alimentos em casa. As publicações apresentam orientações do Reino Unido, do Japão e da Suécia como indícios de um apagão mundial ou de uma guerra global iminente. Os materiais citados, porém, tratam de preparação para emergências e não anunciam acontecimentos dessa natureza.

Uma das versões pede que a população guarde comida por três meses para enfrentar uma suposta interrupção prolongada de energia entre 2026 e 2027. A mensagem não apresenta evidências que sustentem a previsão.

Os períodos de reserva mencionados nas orientações desses países variam de três dias a uma semana. O objetivo é permitir que as famílias enfrentem situações que possam comprometer temporariamente o abastecimento e os serviços essenciais.

O que recomendam os países

No Reino Unido, a orientação citada prevê água e alimentos não perecíveis para três dias. A preparação também inclui lanternas, baterias, medicamentos e produtos de higiene, úteis em situações como tempestades e interrupções de energia.

No Japão, as recomendações estão relacionadas principalmente à prevenção de danos causados por terremotos e outros desastres naturais. Os materiais orientam a manutenção de suprimentos para pelo menos três dias, preferencialmente uma semana.

A Suécia recomenda que as famílias tenham condições de se manter por uma semana em situações de crise ou guerra, inclusive sem eletricidade, água ou acesso a supermercados. A previsão desses cenários em um plano de defesa civil não significa que um conflito tenha sido anunciado.

Orientações foram retiradas de contexto

As publicações usam recomendações reais para sustentar uma conclusão que não aparece nos materiais: a de que governos estariam preparando suas populações para um colapso mundial próximo.

Além de atribuir uma causa sem comprovação, as mensagens ampliam o período de armazenamento para três meses, prazo diferente dos apresentados nas orientações citadas.

A reserva doméstica busca reduzir a necessidade de compras e de assistência imediata durante uma emergência. Esse planejamento já era recomendado antes da atual circulação de mensagens nas redes.

Não há anúncio de catástrofe nos documentos citados

Os materiais mencionados não estabelecem uma data para um apagão global nem demonstram uma ação coordenada entre governos para enfrentar uma guerra mundial iminente.

A existência de conflitos internacionais e de riscos de desastres justifica medidas de prevenção, mas não comprova as previsões divulgadas nas publicações. As recomendações de defesa civil, portanto, não sustentam o alerta que acompanha as mensagens.

*Com informações do Boatos.org

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