O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decide nesta quarta-feira (4) se reduz novamente a Taxa Selic, os juros básicos da economia brasileira. Atualmente em 13,75% ao ano, a taxa poderá cair para 13,5%, conforme a expectativa predominante entre analistas do mercado financeiro.
Caso a previsão se confirme, será a sexta redução consecutiva promovida pelo Banco Central. A decisão será anunciada no início da noite, após o encerramento da reunião iniciada nesta terça-feira (3).
O calendário oficial do Banco Central confirma que este é o penúltimo encontro do Copom em 2026. A última reunião do ano está marcada para os dias 8 e 9 de dezembro.
A Selic permaneceu em 15% ao ano entre junho de 2025 e março de 2026, maior patamar em quase duas décadas. Desde então, o Copom iniciou um ciclo gradual de cortes. Na reunião de setembro, a taxa foi reduzida de 14% para os atuais 13,75%.
Dólar e inflação exigem cautela
Embora o mercado espere novo corte, o cenário apresenta fatores que podem levar o Banco Central a adotar uma postura mais cautelosa nos próximos meses.
Entre as pressões estão a valorização recente do dólar, o impacto dos conflitos no Oriente Médio sobre o preço do petróleo, o aumento dos gastos públicos e os possíveis efeitos do fenômeno El Niño sobre os alimentos.
No último boletim Focus, as instituições financeiras elevaram de 5,19% para 5,22% a projeção para a inflação de 2026. O percentual está acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central.
A meta contínua de inflação é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Isso significa que a inflação pode variar entre 1,5% e 4,5% sem romper oficialmente o limite estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional.
Apesar de ter desacelerado em outubro, o IPCA-15 acumulado em 12 meses chegou a 4,62%, também acima do teto. O índice do mês ficou em 0,32%.
Na reunião de setembro, o Copom reconheceu a moderação gradual da atividade econômica, mas destacou que o mercado de trabalho permanecia aquecido e que as expectativas de inflação continuavam acima da meta.
Como a Selic afeta a população
A Selic serve como referência para as demais taxas de juros cobradas no país. Quando ela sobe, empréstimos, financiamentos e compras parceladas tendem a ficar mais caros. A medida reduz o consumo e ajuda a conter a inflação.
Quando o Banco Central reduz a taxa, o objetivo é diminuir o custo do crédito e estimular a produção e o consumo. O efeito, porém, não é imediato e depende de fatores como risco de inadimplência, custos bancários e condições do mercado.
A Selic também influencia o rendimento de aplicações financeiras, especialmente investimentos de renda fixa atrelados ao Certificado de Depósito Interbancário (CDI) e títulos públicos.
Os analistas ouvidos pelo Focus esperam que, depois de uma eventual redução para 13,5% nesta quarta-feira, o Copom mantenha a taxa nesse patamar durante a reunião de dezembro.
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