Desligamentos de profissionais, cancelamento de cirurgias eletivas e condições precárias no espaço de repouso dos técnicos de enfermagem agravaram o alerta sobre o funcionamento do Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió. Paralelamente, relatos de falta de materiais e a possibilidade de paralisação médica no Hospital Regional da Mata (HRM), em União dos Palmares, ampliam a crise na rede estadual de saúde de Alagoas.
Imagens e vídeos encaminhados ao Francês News mostram manchas de infiltração no teto e nas paredes do repouso utilizado pelos técnicos de enfermagem da emergência do HGE, além de camas e móveis desgastados. Profissionais afirmam que há pontos com possível mofo, danos no teto do banheiro e ar-condicionado sem funcionar.
De acordo com a denúncia, as equipes cobram uma solução há mais de cinco dias. A informação repassada aos trabalhadores seria de que o compressor do equipamento apresentou defeito e precisará ser substituído.
Profissionais dizem que não receberam espaço provisório
Os técnicos de enfermagem afirmam que, mesmo diante das condições do repouso, a direção não teria disponibilizado outro ambiente para uso provisório.
“O descanso não é um luxo, muito menos um favor da instituição. É uma necessidade básica e uma condição de respeito à saúde e à dignidade do trabalhador”, afirma o relato encaminhado à reportagem.
Os profissionais cobram um cronograma para os reparos e a indicação de um espaço alternativo enquanto a manutenção não for concluída. Também alertam para o risco de desprendimento de partes do teto do banheiro.
O Francês News não identificará o autor da denúncia para preservar o profissional de eventuais retaliações. As imagens encaminhadas estão marcadas com a data de 2 de novembro de 2026.
Coren alerta sobre desligamentos no HGE
O Conselho Regional de Enfermagem de Alagoas (Coren-AL) também divulgou uma nota manifestando “profunda preocupação” com as informações sobre desligamentos de trabalhadores no HGE.
Para o conselho, a redução das equipes de enfermagem em uma unidade de referência para urgência e emergência pode provocar sobrecarga, piorar as condições de trabalho e colocar em risco a segurança dos pacientes.
“O subdimensionamento das equipes de Enfermagem representa um risco à qualidade e à segurança da assistência, podendo comprometer diretamente o atendimento à população alagoana”, declarou o órgão.
O Coren informou que adotará medidas junto às instituições competentes, mas não detalhou quantos profissionais foram desligados ou quais setores foram afetados.
Relatos recebidos pelo portal indicam ainda que cirurgias eletivas foram canceladas após as mudanças no quadro funcional. Não há, até agora, um balanço oficial com o número de procedimentos suspensos, pacientes atingidos e especialidades afetadas.
O alerta ocorre um dia depois de a Sesau informar que o HGE realizou 381 atendimentos, 120 internações e 48 cirurgias durante o feriado prolongado. A unidade possui 316 leitos e é a principal referência estadual para casos de urgência e emergência. c
Falta de insumos e possível paralisação no HRM
No Hospital Regional da Mata, profissionais relatam falta de materiais necessários à manutenção dos serviços. Médicos da unidade estariam discutindo uma possível greve ou paralisação caso os problemas não sejam solucionados.
Ainda não foi divulgado comunicado formal do corpo clínico nem data para eventual suspensão dos atendimentos. Por isso, a paralisação permanece como possibilidade em discussão.
A situação do quadro médico do HRM já chegou à Justiça. Em outubro, a Defensoria Pública de Alagoas ajuizou ação contra o Estado após demanda do Sindicato dos Médicos, que cobrou a regularização das equipes de seis hospitais estaduais, incluindo o Hospital Regional da Mata.
A Sesau e as direções do HGE e do HRM ainda precisam esclarecer os desligamentos, os cancelamentos de cirurgias, as condições do repouso, a denúncia de falta de insumos e as providências previstas. O espaço permanece aberto para manifestação e atualização da matéria.
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