O senador Rogério Marinho (PL-RN), atual líder da Oposição, formalizou nesta quarta-feira (4/11) a sua candidatura à presidência do Senado Federal para o biênio 2027–2028. O anúncio veio logo após reunião da bancada do Partido Liberal em Brasília e marca a primeira grande movimentação aberta da oposição contra a articulação de reeleição do atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Para o pleito agendado para a primeira semana de fevereiro de 2027, Marinho chega embalado pelo desempenho das urnas nas eleições de 2026: a partir da nova legislatura, o PL passará a ter 29 dos 81 senadores, consolidando-se como a maior bancada do Senado.
Em discurso direcionado aos colegas de plenário, Marinho criticou a condução da atual Mesa Diretora e prometeu um estilo de gestão focado no respeito à proporcionalidade e na pluralidade partidária.
“Nós, se Deus quiser e o povo, que são os senadores, nos derem essa honra, seremos o presidente do Congresso Nacional. E vamos tratá-los de forma diferente. Vamos respeitar a proporcionalidade. Vamos respeitar a democracia. Vamos respeitar a dissidência! Porque, ao contrário do que eles dizem, nós somos democratas”, afirmou o parlamentar.
Alianças no campo conservador e o desafio dos 41 votos
Apesar do peso numerico do PL, a matemática para alcançar a vitória não é simples. Por se tratar de votação secreta em plenário, o vencedor precisa atingir a maioria absoluta da Casa — ou seja, no mínimo 41 votos de um total de 81 senadores.
Na mesma área de atuação política, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) também vinha sendo cotada para entrar no páreo. Marinho, porém, tratou de afastar qualquer racha interno no campo conservador, afirmando que mantém um canal direto de diálogo com a ex-ministra da Agricultura para formar uma frente única de oposição contra Alcolumbre.
Para além das fronteiras do próprio partido, Rogério Marinho indicou que já iniciou conversas de bastidor com integrantes do PP e do Republicanos. O senador argumenta que o momento é de “convencimento” e não de imposição pela força das bancadas.
Apoios de Alcolumbre e acenos sobre impeachment no STF e anistia
Do outro lado da disputa, Davi Alcolumbre tem se movimentado nos bastidores para fechar um grande bloco que abrange desde legendas da base do presidente Lula até parlamentares de perfil de centro-direita. O amapaense já conta com sinalizações da federação União-PP, além de nomes do MDB e do PSD.
Interrogado sobre pautas caras à ala mais radical da oposição — como a abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) —, Marinho adotou um tom moderado. O parlamentar ressaltou que não pretende transformar o tema em bandeira única de campanha, mas garantiu que a Casa não atuará com omissão caso eventuais crimes de responsabilidade sejam identificados.
Além da relação com o Judiciário, Marinho reforçou seu posicionamento favorável ao projeto de anistia para os condenados pelos atos de 8 de Janeiro e defendeu a adoção do voto aberto na eleição interna, embora o Regimento Interno do Senado determine que a escolha da Mesa seja realizada por votação secreta.




