A Justiça da França abriu uma investigação para apurar a eventual participação de potências estrangeiras por trás da onda de falsos alertas de bomba dirigidos a aviões comerciais em espaço aéreo europeu. A informação foi confirmada pela Promotoria de Paris à agência de notícias AFP.
O inquérito busca mapear o endereço e a identidade dos autores dos e-mails com ameaças falsas enviadas a companhias aéreas e autoridades aeroportuárias. Além da responsabilização direta, os investigadores investigam se as ações foram coordenadas por serviços de inteligência estrangeiros como parte de uma guerra híbrida de desestabilização.
Caças acionados, desvios e pânico nos céus europeus
Desde o início da semana, dezenas de voos comerciais na Europa tiveram suas rotas alteradas de emergência em função das ameaças enviadas às torres de controle. O protocolo de segurança resultou em pousos forçados, escolta de aeronaves por caças da Força Aérea, evacuação de passageiros nas pistas e varreduras completas pelas equipes antiterrorismo. Nenhuma bomba ou artefato explosivo foi encontrado nos aviões inspecionados.
Na quinta-feira, e-mails encaminhados aos aeroportos internacionais de Roma (Itália) e Sófia (Bulgária) reivindicaram a autoria das ameaças. Os remetentes assinaram as mensagens em nome de “combatentes do Male State” — uma alusão a um grupo ultranacionalista de extrema-direita banido na Rússia. O líder do movimento, contudo, veio a público e negou qualquer participação nos episódios.
Suspeita de guerra híbrida e retaliação à ajuda à Ucrânia
Autoridades de segurança do bloco europeu vêm alertando há meses sobre o recrudescimento de ações coordenadas de sabotagem, ataques cibernéticos e campanhas de desinformação motivadas por interesses geopolíticos, apontando a Rússia e o Irã como principais articuladores.
Serviços de inteligência da Europa já previam um aumento nessas investidas de guerra psicológica. A principal avaliação estratégica é que os falsos alertas visam espalhar pânico no setor aéreo europeu, sobrecarregar o sistema de defesa dos países ocidentais e enfraquecer o apoio político e financeiro prestado pelos governos locais à Ucrânia.




